10/09/2009



Megaoperação da Polícia Federal na cidade: 11 PMs, três policiais civis e um informante presos


O dia raiou diferente em Nova Friburgo na última quarta-feira, 9. Tudo por conta da presença de 200 policiais federais e 120 agentes do Grupo de Apoio às Promotorias de Justiça – GAP – que realizaram na cidade uma megaoperação para prender policiais civis e militares, comerciantes e outros civis acusados de integrarem uma quadrilha de roubos a cofres de agências bancárias e cargas, em sua maioria de carne, café e laticínios.
A megaoperação teve início ainda na madrugada. Em alguns endereços os agentes ficaram até duas horas esperando para cumprirem os mandados de prisão e busca e apreensão. A ação foi organizada em conjunto pela Superintendência da Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o Ministério Público Estadual e as corregedorias das polícias civil e militar. Apelidada de Operação Roubo S/A e – Saque Noturno, a ação policial foi o resultado de dois anos de investigações de roubos de cargas em doze municípios do Rio de Janeiro e Além Paraíba, em Minas Gerais, além de arrombamento de cofres e assaltos a instituições bancárias.
Cerca de 400 pessoas participaram das diligências para cumprir 58 mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Criminal de Nova Friburgo e 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Ao todo 39 pessoas foram presas no estado, entre elas oito Policiais Militares (11º BPM e Batalhão de Polícia Rodoviária) e três inspetores da 151ª DP, além de outros dois policiais civis de outros municípios e 26 cidadãos. Outros dois PMs estão sendo procurados e um policial civil está foragido. Segundo o comandante do 11º BPM, tenente-coronel James de Barros, o batalhão foi usado de ponto base para a realização da operação.
“A investigação é da Polícia Federal, e o batalhão deu todo o apoio solicitado. Fico triste por ver a participação de policiais em ações criminosas, mas sobre o caso devo frisar que é a Justiça que vai avaliar se eles são culpados. Os fatos ainda serão oficialmente apresentados à PM, que também irá avaliar a denúncia. Caso seja comprovada a participação deles nos crimes eles serão excluídos da corporação. Mas deve-se lembrar que ninguém pode ser considerado culpado sem antes ser julgado”, disse o comandante. O delegado Cláudio Emmer não comentou a ação.
As prisões aconteceram, em sua maioria, nas casas dos policiais. Um foi detido na delegacia da Vila Amélia e um policial militar se entregou. Num hotel da Avenida Alberto Braune um falso policial (que trabalhava junto ao setor de roubos e furtos da 151ª DP) foi preso. Ele tinha uma carteira falsa da Polícia Civil e uma pistola e, segundo policiais que participaram da operação, reagiu ao ser abordado pelos agentes federais.

Crimes contra a Caixa Econômica Federal deram início às investigações contra a suposta quadrilha
Nos últimos dois anos diversos crimes de arrombamentos de cofres de agências bancárias foram registrados em Nova Friburgo e, alguns, em cidades vizinhas. Os casos ocorriam sempre à noite, quando os bandidos quebravam os vidros de janelas e até paredes para terem acesso ao interior das salas onde os cofres estavam instalados.
Com o uso de um maçarico os bandidos arrancavam as grades e abriam as portas dos cofres pegando parte do dinheiro depositado. Mas foram os assaltos a loterias e um furto ocorrido na agencia da Caixa Econômica Federal em dezembro de 2007 que deram início às investigações da Polícia Federal, que chegou aos policiais supostamente envolvidos.
Atrás das investigações da PF vieram outros crimes. Grampos telefônicos ligaram os envolvidos a roubos de carga e distribuição da mercadoria roubada. Segundo informações preliminares, três quadrilhas estariam agindo de forma interligada. A denúncia seria de lavagem de dinheiro, extorsão, estelionato, formação de quadrilha, receptação, ameaça, roubo de carga e outros crimes.

Roubo de carga e bancos na mira dos envolvidos
Não se tem a informação das acusações impostas a cada envolvido. Sabe-se que a quadrilha rendia caminhoneiros nos postos de gasolina durante a noite nos municípios de Nova Friburgo, Macaé, Duque de Caxias, Guapimirim, São Sebastião do Alto, São João de Meriti, São Gonçalo, Teresópolis, Itaguaí, Campos, Niterói e Além Paraíba-MG e sequestravam as vítimas, prendendo-os em matas nas estradas. Depois de tirarem o GPS eles então seguiam pelas rodovias estaduais até chegarem em cidades das regiões dos Lagos e Serrana.
Policiais militares e do Batalhão de Polícia Rodoviária davam cobertura à ação criminosa. Na delegacia de Nova Friburgo alguns policiais responsáveis pelas investigações do setor de roubos e furtos garantiam a impunidade dos envolvidos nos crimes. Quando as mercadorias chegavam à cidade de Nova Friburgo encontravam receptadores e comerciantes que revendiam o material roubado, avaliados em até R$ 1 milhão.
Nas agências bancárias foram alguns casos registrados em Nova Friburgo, mas há crimes ocorridos em Cachoeiras de Macacu e Cordeiro, além de uma tentativa de furto em Bom Jardim, quando policiais militares que atuam no Destacamento de Policiamento Ostensivo conseguiram impedir o crime e chegaram a apreender parte do material usado pelo bando para os arrombamentos.

Ação conjunta garantiu êxito da operação
A Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público Estadual, a Superintendência de Polícia Federal do Rio de Janeiro, as corregedorias das Polícias Civil e Militar, agindo juntas, garantiram o sucesso da operação.
De acordo com fontes policiais os agentes da PF de Macaé foram os primeiros a chegar à cidade. Agentes do Grupo de Apoio às Promotorias de Justiça, outros policiais federais e PMs do 11º BPM designados pelo comandante James de Barros, cumpriram os mandados, que foram distribuídos ainda na cidade de Niterói, onde um dos primeiros envolvidos foi preso.
Ao todo foram cumpridos 39 mandados de prisão. Em Nova Friburgo, onde 80% dos mandados deveriam ser cumpridos, há comerciantes, acusados de assalto, e os policiais civis e militares, sendo que dois PMs e um policial civil ainda não foram localizados.
Todos os presos foram levados para a superintendência da Polícia Federal, na Praça Mauá, no Rio de Janeiro. Depois de prestarem os depoimentos, tiveram destinos diferentes. Os PMs foram levados para o Batalhão Estadual Prisional e podem ser encaminhados ao Conselho de Disciplina. Os policiais civis (o chefe do setor de investigação, do núcleo de roubos e furtos – que vem a ser irmão do delegado titular da 151ª DP - e o outro inspetor envolvido e preso – ainda há um foragido) serão encaminhados a Polinter. Já os civis serão distribuídos pelo sistema penitenciário do estado.

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