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Publicado em 30/04/2008

Município ganha núcleo da Organização Brasileira de Veteranos das Nações Unidas

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Nova Friburgo acaba de ganhar um núcleo da Organização Brasileira de Veteranos das Nações Unidas e Estados Americanos (OBV/NUEA), entidade que difunde como atuam as missões de paz e seus objetivos. Quem assumiu o cargo de comissário do núcleo friburguense foi o vice-presidente da Soamar/NF, Ronald Araújo da Silva.
A instalação do núcleo de Nova Friburgo, que passa a integrar a Regional Leste da entidade, aconteceu na tarde de sexta-feira, 25, no auditório do Sanatório Naval, com a presença de quatro veteranos das tropas brasileiras que atuaram no exterior, junto à Força Expedicionária Brasileira, criada por ocasião da 2ª Guerra Mundial e as forças de paz das Nações Unidas em Suez, Gaza, República Dominicana e Haiti. Uma das presenças mais importantes (ver quadro) foi a da major Elza Cansanção, enfermeira e ex-combatente da FEB.
A cerimônia começou com homenagem da Marinha e do Exército do Brasil “a todos que com sacrifício e bravura souberam defender a honra da pátria com os ideais de liberdade e democracia”. Depois de composta a mesa foi ouvido o Hino Nacional sul-coreano, nação amiga, da qual é oriundo o secretário-geral das Nações Unidas, embaixador Ban Ki-moon e, em seguida, o Hino Nacional brasileiro. Também foi guardado um minuto de silêncio em memória dos boinas azuis, que doaram suas vidas pela paz nas missões ao redor do mundo e, em especial, ao general Domingos Ventura Pinto Júnior, presidente do Conselho Nacional dos Ex-Combatentes do Brasil, falecido no ano passado.
Um dos destaques do evento foi a palestra do secretário-geral da OBV-NU/EA, Israel Costa Wangler, sobre a Organização Brasileira de Veteranos e as missões de paz. A organização, que congrega militares da ativa e da reserva, reformados e ex-militares, foi criada em 1995 e, desde então, trabalha ativamente para manter vivos os valores e a memória dos soldados que estiveram e estão no exterior defendendo a causa da paz em nome do Brasil. Ele destacou a figura de Winston Churchill e Franklin Roosevelt, que classificou como “dois grandes humanistas”, e falou sobre a criação das Nações Unidas, em 1946, que muito contribuiu para erguer os países mais devastados pelas guerras. O palestrante também abordou os diversos aspectos que envolvem as operações de paz que, muitas vezes, são desconhecidas do grande público, como a do Haiti. “Os militares que estão participando de operações de paz não podem ficar ao largo, são militares de alto valor”, destacou.
O diretor do Sanatório Naval recebeu o diploma de membro do Conselho Consultivo da entidade, juntamente com o tenente-coronel Clayton Muniz, o major Marcelo Teixeira Rodrigues e o coronel Julio Cesar Vasconcellos. Na mesma ocasião foram entregues diplomas de colaboradores eméritos ao chefe da administração do Sanatório Naval, Ivo Dutra, à vice-diretora Maristela Almeida e ao chefe de instrução do Tiro de Guerra, Alberto Ferreira. Em seguida, Israel Wangler entregou o certificado de Peace Friend (Amigo da Paz) ao Sanatório Naval, através de seu diretor, Humberto Cânfora, conferido a organizações militares que realizaram atos que contribuíram para a preservação dos feitos humanitários dos militares boinas azuis brasileiros nas missões de paz, desde 1947.

Major Elza, um dos ícones da FEB

Uma das personalidades mais marcantes da cerimônia de sexta à tarde no Sanatório Naval foi, sem dúvida, a major Elza (na foto ao lado do tenente-coronel Clayton Diniz). Aos 19 anos, não pensou duas vezes em se alistar como enfermeira durante a Segunda Guerra, deixando para trás toda uma vida confortável e segura.
Moradora de Copacabana, filha de médico, Elza vivia na praia, fazia natação, tinha até motorista para levá-la aonde queria. “Papai cortou relações comigo, mamãe queria ir junto”, conta. Ela não se arrependeu nem por um minuto de sua decisão. “Não foi nada intempestivo nem fruto de revolta ou algo assim”, conta. “Eu não podia é permitir de maneira alguma que viessem dentro de nossas águas matar nossa gente. Quando começaram os torpedeamentos, pensei que aquilo tinha de acabar e decidi dar minha contribuição”, afirma.
A major Elza passou um ano e quatro dias na Itália, viu seus colegas de farda morrerem em troca da paz. Trabalhou em hospitais, inclusive na linha de frente dos combates, até ela e seus companheiros serem “chutados” do Exército, como ela diz, por um ato de Getúlio Vargas.
Sobrinha do Visconde de Sinimbu, João Lins Vieira, que construiu a primeira cadeia e o primeiro cemitério de Nova Friburgo, ela estava ansiosa para descobrir mais alguns dados sobre este seu familiar. Major Elza, que também é jornalista, já escreveu quatro livros e viaja pelo mundo dando palestras.

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