03/12/2010



Macaé de cima – um paraíso abandonado


Attila Mattos

Foi entre 1819 e 1820 que chegaram à Nova Friburgo as 261 famílias de suíços, num total de 1682 imigrantes. Foi uma viagem medonha onde muitos morreram, e os que chegaram, estabeleceram-se sem receber qualquer ajuda numa situação de grande precariedade. Eram famílias muito pobres e de pouquíssima cultura, porém tinham muita garra e, apesar das imensas dificuldades, conseguiram sobreviver. A região era de terras de baixa fertilidade, topografia difícil, mata fechada, acesso péssimo e sem nenhuma infraestrutura para a habitação humana. Por outro lado, era, e é, área lindíssima, muito rica em Mata Atlântica, onde nasce o Rio Macaé, de água limpa da montanha que hoje alimenta o turismo regional e a exploração petrolífera em Macaé e Campos, no litoral norte do Estado do Rio de Janeiro, onde o rio deságua no mar. Os suíços ficaram isolados mas foram se reproduzindo, alguns migraram para norte, sul, leste e oeste, porém a grande maioria permaneceu em nosso município. As terras foram doadas para a colonização nos locais hoje chamados de Mury, Alto 50, Stucky, Macaé de Cima, Galdinópolis, Vargem Alta, Rio Bonito, Lumiar, Boa Esperança, São Pedro da Serra e outros. Passados todos esses anos queremos descrever como vivem hoje os descendentes dos suíços pioneiros e quais são suas reivindicações enquanto comunidades estabelecidas em forma de bairros. Em primeiro lugar queremos salientar que houve pouca miscigenação e, sendo assim, a grande maioria dos descendentes é fruto de casamentos entre as famílias que chegaram no início da colonização. Outro aspecto relevante é que essa gente cresceu intelectualmente no Brasil e hoje tem instrução, sendo totalmente integrados à sociedade friburguense. Muitos se tornaram médicos, advogados, políticos, empresários e outras profissões, assumindo inclusive cargos importantes em nosso município, e mesmo no Brasil e no mundo.
Passo agora a relatar as reclamações dos moradores da localidade de Macaé de Cima com quem convivo por mais de 30 anos. Esse bairro é basicamente turístico e seus moradores são, na maior parte, descendentes dos suíços, sendo que quase todos trabalham para os sitiantes oriundos das cidades do Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e outras, que nos fins de semana e férias vêm curtir as belezas da região. Mas como vivem esses trabalhadores?
1 – Saúde – nos foi informado que não há um posto de saúde decente e que havia um médico que ia uma vez por semana, sendo que agora não vai mais ao local. Além disso, o agente de saúde não é do bairro e, portanto, não conhece a comunidade, o que desagrada, obviamente, a todos os moradores.
2 – Educação – A escola Monsenhor José Antônio Teixeira tem falta de 3 professores e para as crianças não perderem o ano letivo os outros professores estão se desdobrando e até a diretora está dando aula.
3 – Transporte – a situação do transporte coletivo no bairro é ridícula, visto que o micro-ônibus que atende a população só circula por lá três vezes por semana (terças, quintas e sábados) e apenas duas vezes em cada dia, obrigando aos moradores a andar a pé longas distâncias ou pagar táxi para se deslocar para o centro da cidade com fins de estudo, trabalho, tratamento de saúde e compras. Há necessidade também de que o micro-ônibus avance mais 900 metros à frente do atual ponto final, para atender a mais famílias.
4 – Comunicação – a localidade não tem telefone, apesar das inúmeras gestões dos moradores e dos sitiantes turistas junto às empresas de telefonia.
5 – Estradas – as estradas e pontes têm péssima manutenção oferecendo sério risco de acidentes. Durante as campanhas políticas são feitas manutenções e depois das eleições a conserva fica por conta de poucos funcionários, sem equipamentos, como tratores e outras máquinas, para que possam desempenhar sua função de forma satisfatória.
Muito se vê de preocupação com a conservação das matas, rios e córregos afluentes do rio Macaé de Cima, porém pouco se faz pela população que vive na região. Todos precisam de caseiros e de gente que não deixe poluir nem desmatar aquela belíssima localidade, mas o poder público não cumpre seu dever para com os moradores que são os reais e únicos agentes de preservação e de trabalho do local. Por isso é que se diz que a maravilhosa região do Macaé de Cima, um dos pontos mais lindos do mundo, é na verdade um “Paraíso Abandonado”.
Esperamos por respostas e ações das autoridades!!!

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rose maria
12/06/2014 - 11:24

solicitamos em macaé de cima urgente um agente comunitario de saúde pois pessoas da comunidade fizeram o concurço 2007 e até o dia de hoje não foram chamadas acho que o sr prefeito se esqueceu da nossa comunidade. oi Rogerio estamos aqui abandonados no tão famoso macaé de cima.


Leo -XWG
19/03/2013 - 14:41

Excellent post. Your article touches a lot of urgent problems of our minds. It is impossible to be uninvolved to these problems. This post gives the light in which we are able to observe our life. Well done. lamisil topical


Jace
05/03/2013 - 11:33

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Ágata Munhões
17/08/2012 - 15:08

O que está escrito acima é tudo verdade nós que moramos aqui em Macaé de Cima temos muitas dificuldades em relação à transporte,educação,comunicação e saúde.Espero que com essa matéria mude alguma coisa!!!



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