10/07/2012
A humanidade é controversa, pois ao mesmo tempo em que, nas escolas, obrigam os alunos a aprender história universal e história do Brasil, as mesmas pessoas que criaram essa obrigatoriedade, os governantes, contribuem ou participam da dilapidação do acervo histórico do país.
Apenas para demonstrar o quão importante é conhecer fatos históricos, este cronista, quando cursou o 1º ano ginasial, teve em Waldemar Cochiaralli, professor de história, o seu exemplo. Aquele Mestre, com letra maiúscula, nos legou imensos frutos culturais. Se hoje tenho cultura, devo isso, também, aos ensinamentos colhidos em livros de história, pois os exemplos registrados nos mesmos poderão aprimorar nosso saber e nosso viver. Também, tornei-me pesquisador da história, pela minha intrínseca necessidade de querer aprender mais, através dos exemplos registrados nos livros.
As cidades de Olinda, Tiradentes, Ouro Preto, Parati, Petrópolis e a nossa Nova Friburgo são visitadas por uma infinidade de turistas, muitos com o objetivo de voltar no tempo e conhecer a história de nosso país, através da documentação conservada nos arquivos, museus e pelas obras arquitetônicas e artísticas legadas por nossos antepassados.
Ao nos deparar, nessas cidades, com construções antigas, esculturas, pinturas ou monumentos, além de apreciá-las, por serem atraentes, procuramos conhecer os autores e os porquês que influenciaram sua produção, ou seja, a sua história.
Para normatizar a preservação desse acervo cultural, há o Iphan—Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional—, que conta com muitos funcionários dedicados e apaixonados pelo trabalho que executam, mas que tem muitas dificuldades em dar prosseguimento às suas tarefas, porque esse Instituto é órgão público, sujeito a conjunturas políticas, que lhe são nefastas, ocasionando letargias administrativas, com protelações, interrupções e até descaso, quanto ao tombamento e à execução de obras de manutenção dos bens tombados. Pela letargia do Iphan, os maiores inimigos do patrimônio histórico são os especuladores imobiliários, que, por dinheiro, não respeitam qualquer marca representativa do passado. Eles derrubam esses símbolos, os quais denominam de velharia, para construir prédios, conflitantes com a arquitetura das cidades históricas.
Em poucas cidades, há leis proibindo a destruição de seu acervo cultural, representado pelas construções seculares. As cidades de Parati, Tiradentes e Ouro Preto conservam seu casario antigo da forma original. As modificações que são permitidas se restringem à parte interna do imóvel, conservando-se intacto suas fachadas e telhados, em estilo colonial. Alguns poucos prefeitos que respeitam o patrimônio, para preservá-lo, tiveram e têm imensa dificuldade em sensibilizar o Iphan para tombar ou conservar, através de reformas esses bens culturais. A “burrocracia” impera! Exemplo disso em Nova Friburgo está no Country Clube, onde fui para conhecer a residência do Barão. Estava fechada, pois está sendo reformada pelo Iphan, sem previsão de reabertura, informaram!
Patrimônio histórico, a rigor, é qualquer coisa que seja representativo de uma época. Como exemplo, vou citar um fato que, a meu ver, mutilou o patrimônio de nossa querida Nova Friburgo. Refiro-me à retirada da locomotiva da E.F. Leopoldina, que estava na Praça Getúlio Vargas e que era uma das atrações turísticas da cidade! Registra-se, que no lugar em que estava foi construído o coreto atual, que, por sinal, agride a beleza do projeto original, de autoria do engenheiro paisagista Auguste Glaziou. Afirma-se que a Prefeitura, estranhamente, não dispunha de documentação provando ser proprietária daquela locomotiva e a Leopoldina a desmontou, com maçarico, para vender como sucata de ferro. Incrível, destruíram a maçarico, um patrimônio histórico dos séculos XIX e XX! Entretanto, na cidade de Conservatória–RJ, a locomotiva 206, que está exposta no final da avenida, é ponto turístico muito visitado! Ela é tão famosa quanto. . . . .!
No livro da professora Janaína Botelho, sobre Nova Friburgo, eu “aprendi” que o antigo teatro D. Eugênia, inaugurado em 1895, com a opera “Um Baile de Máscaras’ de Verdi, apresentada por uma Companhia Lírica Italiana, foi demolido em 1975, apesar dos protestos populares. O prefeito que permitiu era um inimigo da cultura. Foi embora mais um importante acervo histórico!
Mostrando o descalabro de uma administração, quanto à destruição dos bens culturais, consta que um prefeito da cidade de Angra dos Reis, na década de 60, usou o seguinte argumento para justificar o seu vandalismo: “Enquanto o Iphan não ‘tomba’ os prédios, eu derrubo essas casas velhas”—e derrubou! Aquela região é marco histórico do início de período colonial, ano de 1530.
Lutemos contra o vandalismo cultural, porque cada bem preservado pode desvendar segredos de uma época passada, mostrando e ensinando caminhos a percorrer.
Por fim, destruir, por qualquer forma, bens culturais é dano de Lesa-Patrimônio!
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