03/07/2012
Ano de 1964, este cronista trabalhava no Setor de Microfilmagem do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. Aquele setor, em razão da qualidade intelectual e, principalmente, técnica dos demais colegas que ali trabalhavam, foi para mim uma das maiores escolas da vida que pude cursar. Fato curioso é que cada um dos seus integrantes, além da especialização máxima na ciência fotográfica, detinha tantos outros conhecimentos técnicos que transformava o dia de trabalho em verdadeiras e prazerosas aulas, pelo intercâmbio dos seus saberes particulares. Mecânica geral, eletricidade, astronomia, piscicultura, marcenaria, relojoaria, eletrônica e outras técnicas, tinham especialistas, com os quais alicerçávamos imensos conhecimentos.
Dentre os funcionários, um deles era expoente na fotografia, principalmente de arte, e membro da International Federation of Photographic Art (Fiap) (www.fiap.net/distinctions.php?lang=en), na categoria expositor (Afiap), com prêmios em salões nacionais e internacionais. Esse colega, Décio Brian, conhecendo o meu gosto por fotografias artísticas e sabendo que eu fui sócio da Abaf—Associação Brasileira de Arte Fotográfica—, convidou-me para participar de mostras de arte fotográfica, integrando o grupo de expositores da SFNF—Sociedade Fotográfica de Nova Friburgo—, da qual ele era sócio. Registre-se que ele se filiou a essa sociedade em razão de ter residência de veraneio em Mury.
De pronto, aceitei o honroso convite e, por muitos anos, expus meus trabalhos em salões brasileiros e pelo mundo afora, tendo a ventura de ser aceito e premiado em muitos deles. Na época, como associado nº 49 da SFNF, além de Décio Brian, tinha como companheiros o Sr. Ernesto Victor Hamelmann, o Prof. Cláudio Hideo Kato, a Profª. Marília Vaz, José Rosa, Nilson Quadros e outros.
Naquele período, a Sociedade tinha intensa programação, como passeios fotográficos, fotos de estúdio, tendo por modelos muitas integrantes da sociedade friburguense e permanente participação nos salões de arte fotográfica, realizados em todo o país e no exterior. Décio Brian, um vibrante sócio, era incansável em estimular outros artistas para que participassem da Sociedade e dos salões fotográficos. Vendo qualidade artística em algum aficionado, convidava-o para integrar a SFNF.
Fato curioso da época, é que a remessa das fotos, 30x40 cm, para os salões, eram feitas através dos Correios, em postagem registrada. Entretanto, após a exposição, a devolução, também pelos Correios, tinha problemas, pois muitas fotografias eram extraviadas, não se sabe para onde, porém, os catálogos, chegavam. Por isso, guardo muitos catálogos, mas as fotos correspondentes sumiram!
Passaram-se os anos, mudei residência para Cabo Frio e, em razão disso, desativei meu laboratório de fotografia em preto e branco, dando meia-trava em minhas atividades fotográficas, ao mesmo tempo em que a fotografia digital empurrava para o lado a fotografia tradicional, à base de sais de prata. Com isso, a própria empresa inventora de muitos processos, a Kodak, volveu seus interesses para outra área, diminuindo, quase exterminando, a produção e oferta de papéis e reveladores para a técnica preto e branco. A fotografia em filme a cores ainda persiste, mas com sintomas de breve final, ficando somente mesmo a técnica digital. Progresso ou involução? A meu ver, involução, pois naquela época o artista concebia a arte e a técnica a executar, após, fotografava, revelava o filme, ampliava as fotos fazendo os cortes e enquadramentos necessários, retocava-as com gilete e com tinta especial “spotone” e as enviava para os salões. Portanto, o artista fazia arte fotográfica, administrando pessoalmente todas as etapas de execução, até o produto final. Hoje, após a concepção e o ato de fotografar, modelo ou paisagem, ele encaminha para um laboratório—minilab—, que se incumbe de dar o toque final em sua arte, muitas vezes, modificando a concepção inicial do artista. A propósito, qualquer arte tem, obrigatoriamente, de ser iniciada e terminada pelo próprio artista. Não existe sociedade na confecção artesanal de arte. A qualidade artística é pessoal e intransferível!
Agora, morando em Nova Friburgo, pesquisei onde retornar ao passado, quanto à arte fotográfica, tendo a ventura de reencontrar o querido colega Décio, que ainda está em atividade, expondo seus trabalhos, o qual “indicou o caminho das pedras” e, pela informação, contatei com o Sr. Roney Silveira, atual presidente da SFNF, quando trocamos ideias a respeito da incrementação das atividades da Sociedade, principalmente através da adesão de novos sócios e realização de um número maior de eventos. Este cronista, como um dos mais antigos associados, se dispõe a ministrar cursos técnicos e artísticos de fotografia e coloca-se à disposição dos interessados, para esclarecimentos. Para isso usem os e-mails: lugo@mar.com.br e lugocs@ig.com.br. Com a adesão de novos participantes, a Sociedade Fotográfica de Nova Friburgo retomará, plenamente, seu antigo caminho. Vamos, em conjunto, fazer brilhar, novamente, os méritos e vitórias da SFNF!
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