02/07/2012
Nesta crônica vou registrar uma opinião minha, que foi endossada por vários friburguenses.
Para que possa ser explicada a razão do título desta crônica, voltemos um pouco na história, a partir da metade do século XIX—1850—até a segunda década do século XX—1920/1930.
Historiadores, como a professora Maria Janaina Botelho, Marieta de Moraes Ferreira e outros, em seus livros sobre a cidade de Nova Friburgo registram que numerosas famílias residentes no Rio de Janeiro, na época, sede do governo imperial e dos primeiros governos da República, respectivamente, no período do verão, trocavam a sociabilidade e o conforto daquela metrópole pela vida menos atribulada de Nova Friburgo, que ainda iniciava sua urbanização e progresso. Tal êxodo era para escapar das epidemias e pestes que costumavam grassar no Rio de Janeiro durante aquela estação. Esses grupos familiares vinham também em busca de um clima mais ameno, de uma cidade salubre, fugindo da canícula de 35 a 40º C, que maltratava os habitantes da Metrópole, naqueles meses. Havia famílias que estendiam a permanência, só deixando Nova Friburgo quando a temperatura no Rio de Janeiro fosse menor, ou seja, no início do inverno. Eles trocavam as temperaturas quentes do Rio de Janeiro pelo brando inverno do clima de Nova Friburgo, embora fosse época de verão. Enquanto permaneciam na cidade promoviam muitos eventos, públicos e particulares. Por exemplo, a família de Rui Barbosa—o estadista—organizava e participava de muitas festas. Todas, de muita repercussão fora da cidade e que, por certo, atraiam muitos visitantes, só para participar delas.
Ainda hoje, embora com menor intensidade o “calor de Nova Friburgo é frio”. O novo morador ou quem chega desagasalhado é que pode comprovar esse aparente paradoxo! Para provar essa afirmativa, este cronista morou numa cidade em que a temperatura no dia 15 de fevereiro de 2011 chegou a 45º C e, dentro de casa, às onze horas da noite, a temperatura era de 39º C. Mudei para Nova Friburgo em outubro de 2011 e nunca dispensei o meu cobertor para conseguir dormir, sem frio. Aqui, no verão passado, registrei temperaturas de 13 a 15º C. Inédito pra mim, Que Verão Frio!
Cena inusitada observei no verão passado, pois a maior fila de clientes era a de uma sorveteria. Fiquei com frio só de ver a cena, pois a temperatura não devia estar acima de 18º C.
A maior razão para escrever esta crônica é a constatação de que o governo e empresários desta cidade não estão aproveitando esse grande filão turístico proporcionado pelo inverno, ou melhor, pelo frio de Nova Friburgo. Existem eventos, é certo, mas de caráter municipal, cuja participação fica restrita aos moradores e a poucos turistas que chegam para curta estadia.
Cidades como Campos do Jordão, Gramado, e outras, organizam durante o inverno eventos que atraem turistas de todo o Brasil. Também, a Festa da Uva, OktoberFest, Festival de Gramado, Feira do Livro–Parati, Semana do Chorinho–Conservatória, Feira Forte–Cabo Frio, são eventos do calendário anual, daqueles municípios, porém organizados e financiados por empresários, tendo o apoio logístico das prefeituras, mas não acarretando grandes despesas para o erário público. Em Nova Friburgo, locais como o Country Clube, além da beleza natural, já tem instalações prontas para serem utilizadas nesses eventos. Registro isso, pois no dia 27/05 compareci à exposição de automóveis antigos organizado pela Acanf—Associação de Carros Antigos de Nova Friburgo—naquele clube e analisei esse detalhe. Foi um evento excelente, que brindou o enorme público presente. Parabéns a Walter Inácio e Rodolfo Pereira, presidente e vice-presidente da Acanf.
Efetivamente, há três classes de turistas: os que gostam do calor e procuram as cidades praianas; os que são adeptos da natureza selvagem e demandam o interior, oeste, do Brasil e os que adoram a estação fria e vão para regiões que lhes proporcionem esse prazer. Portanto, Nova Friburgo está perdendo a oportunidade de atrair mais esse tipo de turista, porque quem curte o frio e vem pra cá, de férias ou em feriados prolongados, poderá complementar sua estadia comparecendo a essas feiras, shows ou festivais, organizados nos moldes dos citados acima. Emoldurando essa estadia, o visitante gastrônomo já tem, em Friburgo, uma rede de restaurantes de nível internacional, sempre lotados.
Atração pelo frio, ocorreu no show realizado no dia 20 de maio, no palco montado na Via Expressa. Pessoas que vieram de Cachoeiras de Macacu, cidade muito quente, adoraram os shows, porém, o que mais comentaram foi sobre o frio, declarando: “Foi um barato curtir aquela friagem!”.
Prefeitura e empresários: Nova Friburgo carece de megaeventos, principalmente nas temporadas, pois turistas existem, para prestigiá-los. Enfatizem Nova Friburgo como promotora de grandes festas. O comércio, pelo aumento de vendas e o povo, pela alegria de participar delas, agradecerão, pois em cada ano novas surpresas acontecem e isto é o grande charme desses eventos!
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