06/04/2012
Ano Novo, causos novos. Depois de um breve recesso, quando estivemos passeando no Sul(midouro), voltamos com as histórias que não estão nos livros de pesquisas. Passagens curiosas e engraçadas que aconteceram em Nova Friburgo e alhures com a nossa gente.
Para muito breve, uma surpresa: o livro dos Causos. Aguardem.
Enquanto isto, podem acessar o blog CausosFriburguenses.com.br.
1. MALA DO ANO
Ao chegar o fim de ano, em alguns lugares é comum a escolha e eleição dos “Malas do Ano”. Uma delas, a mais famosa talvez, é a feita pelo colunista de “O Globo”, o Arthur Xexéo, que há anos aponta o eleito como a carga mais pesada daquele ano que está acabando. Já escrevi para ele algumas vezes, reivindicando a “paternidade” ou pelo menos a divulgação deste termo pelo Brasil afora.
Comparar o cara enjoado a uma mala nasceu aqui em Nova Friburgo, mas quem deu dimensão nacional foi o Edmo Zarife. Então fazendo parte da rádio Globo usava a expressão mala com frequência, assim como o “Lei Seca” que antecipava o seu “bom dia” tradicional. Foi o Edmo que junto, principalmente, ao pessoal do futebol da rádio Globo tornou conhecido este sinônimo de chato. Este registro tem que ser feito para conhecimento geral e justiça ao saudoso mala, Edmo Zarife, o lei seca amigo da gente.
2. ADIR, DO SERENATA
Atendendo ao leitor e internauta Marcelo Thurler, vamos a algumas histórias que conheço do Adir Correa, dono do Bar Serenata, de tanta lembrança para muitos boêmios friburguenses.
Lá pelos anos setenta, os points noturnos eram ditados pela garotada que migrava de bar em bar, sem qualquer explicação lógica. Eram os bares da moda. Em determinava época, o Bar Serenata, um autêntico pé-sujo que ficava no começo da rua Monsenhor Miranda, virou ponto de encontro dos jovens. Uma multidão, principalmente, nas noites de quinta a sábado, tomava as mesas, calçada e rua em frente ao Serenata de assalto. Adir e seu fiel escudeiro Tião se viravam da maneira que podiam para atender a garotada. Um ia servindo e o outro anotando os pedidos. Fazendo parte de uma turma que não perdia uma noite no Serenata, ela se destacava por ser anã e por sua personalidade, pois não se deixava diminuir pela aparência e era querida pelos seus colegas de copo até mesmo pela lição de vida que dava.
No meio daquela confusão toda ela pediu mais uma cerveja ao Adir que prontamente foi à geladeira pegar a loura gelada, serviu e gritou para o Tião anotar na conta.
Foi aí que ficou marcada a irreverência do Adir, irreverência que conforme disse acima era aceita com tranquilidade pela jovem em questão:
“Tião, anota aí mais uma cerveja”—gritou.
“Na conta de quem?”—perguntou o empregado.
“Da Tira-gosto”—respondeu Adir.
3. SOBREMESA
Ninguém ganhava do Adir Correa quando o assunto era pudim de leite, sua sobremesa favorita.
Estávamos em Niterói, eu, Evanir Cid Costa, o motorista e o Adir, e fomos ao Monteiro, então um dos melhores restaurantes da capital fluminense. Após derrubarmos uma moqueca daquelas, foi pedida a sobremesa: quatro pudins. O garçom, claro, trouxe o doce em quatro pratos. Adir recolheu-os e juntou tudo num só. Não eram estes doces que são servidos em formas pequenas e redondas não. Eram em pedaços e enormes. Não satisfeito pediu mais quatro ao garçom e mandou que ele os trouxesse num prato só. Traçou os quatro e pediu mais dois para fechar a conta. Na mesa ao lado, um casal assistiu tudo com espanto incomum e o cara, ao ver o Adir comer dez pudins numa tacada só, não aguentou e saiu correndo com ânsias de vômito.
Nas viagens que fazíamos com frequência a Niterói para atendimento à rotina em processos de prestação no Tribunal de Contas, fazíamos um pit-stop obrigatório em Venda das Pedras (a Duques-Manilha não existia ainda). A parada servia para, digamos, abastecimento meu, do Evanir e do Mendonça (João Batista) e—prioridade absoluta—encomendar um pudim que a dona do restaurante fazia para trazermos para o Adir. O pudim de leite era um autêntico manjar dos deuses. Por segurança, a calda do doce vinha em separado, num copo à parte. Numa vez aconteceu do Evanir pedir uma dose de Undenberg que foi deixado no balcão próximo ao copo com a calda do pudim.
Não deu outra: o seu Zé Evanir bebeu a calda doce e trouxe o Undenberg que jogou em cima do pudim ao chegar a Friburgo.
Adir não se fez de rogado: mandou o pudim pra dentro com undenberg e tudo sem se importar com o amargo da bebida.
4. APARÊNCIAS
Como na maioria dos esportes, o Bolão (um boliche metido a besta) era local de predominância masculina. Somente em ocasiões especiais as mulheres participavam. O terceiro sexo então, só em eventos especialíssimos, como, por exemplo, ocorreu na história a seguir.
Um torneio interestadual reuniu equipes de São Paulo, Rio, Petrópolis e, pela primeira vez, um clube do Paraná se fez presente em Nova Friburgo, disputando jogos nas pistas de bolão da Sociedade Esportiva Friburguense. Em sua maioria, altos, louros e de olhos claros, fizeram logo sucesso com a mulherada e afins.
A dupla dinâmica Francis-Eduardinho, que de vez em quando fazia a alegria no Bolão com sua natural irreverência e as inevitáveis brincadeiras, foi também conhecer o visual dos galegos. Um dos curitibanos que mais sucesso fez não era louro como a maioria e sim moreno, de origem italiana. Gilberto Batistel, que como é marca registrada da raça tinha um nariz avantajado. Diz-se a boca miúda que o tamanho do nariz é proporcional ao digamos, tamanho do instrumento de trabalho do portador da nareba.
Ao saber que a turma de Curitiba iria à sauna depois dos jogos, a dupla dinâmica ficou a postos e foi junto conferir o material.
A expectativa virou decepção quando o Giba saiu da esfumaçada sauna, pendurou a toalha e entrou na ducha.
Francis e Eduardinho deram uma geral e comentaram entre eles:
— Ô narizinho enganador!!!...
Daquele dia em diante, Gilberto passou a ser chamado de “Narizinho Enganador”, apelido que o acompanha até hoje.
5. NO GALEÃO
Voltávamos de uma viagem ao Chile, ocasião em que fizemos um sacrifício incomum de visitar as famosas vinículas daquele país. No Galeão, esperando a turma, o filho de um dos integrantes que por ser da Polícia Federal, teve acesso franqueado ao salão de desembarque a espera do pai.
Ao avistar o grupo, foi de encontro ao pai e num gesto de carinho colocou a mão no ombro do velho e o acompanhou até a saída.
Vendo o policial, que estava devidamente encrachado, levando o cara pelo braço, guardas do Galeão comentaram:
— Caramba! Pegaram mais um hoje, olha lá o coroa indo em cana! Será contrabando ou droga?
Restou-nos rir vendo o Anésio Soares deixando o aeroporto abraçado com o filho, Alexandre, que com seu crachá da Polícia Federal atravessava os corredores do Galeão.
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