06/04/2012
Por Girlan Guilland
1. O “PUM” DO GATO
Esse Paulão também era um verdadeiro atrativo de casos. Certo dia, sempre interessado em histórias do trem, sai à cata de “cases” e personagens sobre a velha Maria Fumaça em Nova Friburgo e lá foi o nosso fotógrafo junto.
Procura daqui e dali, chegamos ao velho ferroviário aposentado, que segundo uma fonte mantinha em sua casa várias peças, inclusive pedaços de trilhos, dormentes e sinos da antiga Leopoldina. Na verdade, não dispunha de muita coisa, mas foi interessante ouvir suas diversas e octogenárias histórias.
Curiosamente, ao nos mostrar os diversos cômodos de sua casa, um gato o acompanhava como um fiel escudeiro. Era uma casa de três andares e, em cada um, a parada calma para contar os causos.
Na hora em que chegamos ao terraço, ante uma bela vista para deslumbrar, detive-me ainda mais na conversa, enquanto Paulão acompanhava já com pouca paciência. Afinal, não lhe rendera nada de imagem.
De repente, ouvimos um sonoro “pum”. Entreolhamos, segurei o riso ante a situação embaraçosa e o nosso anfitrião mais que depressa simulou um safanão no gato, que nem estava muito próximo, mas pulou serelepe entre as pernas do Paulão.
Calmamente, nosso cicerone procurou justificar:
— Sai pra lá, seu gato safado!!!
Não nos demoramos mais. Tive que dar um jeito de sair para rir na rua. Na primeira oportunidade em que nos vimos só, eu e nosso amigo fotógrafo, quase falamos juntos que “o velho olhou para trás para colocar a culpa não no gato, mas no Paulão”, ao que esse respondeu:
— Mas já estava preparado... Se aquele velho falasse que fui eu, ia dar um safanão nele, que quem ia pular não ia ser o gato, não...
2. ARRUMANDO A NOIVA
Essa não é do Paulão, mas é de um certo e desconhecido Paulinho.
Era o dia do casamento da cunhada do camarada. Entre os preparativos da cerimônia, o tal do “dia da noiva”, em que a jovem nubente passa um bom tempo entre cabeleireiro, maquiador e quetais; no caso, essa empreitada seria realizada na casa da pessoa contratada para o serviço, num determinado bairro friburguense.
Em certo momento, a noiva deu por falta de um dos apetrechos. Seria o véu ou a grinalda, não importa; ligou para casa e o cunhado, todo solícito, logo se ofereceu para ir levar.
Tão empolgado, subiu na moto e nem anotou o endereço. Tomou como ponto de referência uma birosca próxima de onde imaginava ser a casa e rumou direto pra lá.
Quando avistou o bar, foi conferir se seu plano de voo estava correto. Ao primeiro senhor que viu à porta do estabelecimento, mandou a pergunta:
— O senhor sabe aqui onde tem um lugar em que se arruma noiva?
O nosso “pra lá de atento” birosqueiro, sem pensar muito (até porque o vento desfavorável não deixava), mandou a magistral resposta:
— Ih, meu fio... Sei, não... Mas se você descobrir, vorta aqui e me diz, que eu também tô precisado!!!
3. ESQUECERAM O DEFUNTO
Embora seja de velório, esse causo não tem nada a ver com o Paulão. Aconteceu recentemente e eu mesmo fui um dos personagens, embora—graças a Deus—não tenha sido o protagonista. Obviamente...
Estava no cemitério São João Batista, para o velório de uma senhora conhecida da família. Era uma daquelas tardes de capela cheia e entre os falecidos, um jovem rapaz que se acidentara de moto. Era um desespero só. Amigos e parentes do motoqueiro choravam como é próprio e comum nesses casos, inclusive—apesar de novo, uns 21 anos—ele já tinha filhos.
O sepultamento sairia dentro de instantes para o cemitério Trilha do Céu, em Conselheiro Paulino. Despedidas, aquele clima de consternação. Os familiares do rapaz, todos inconsoláveis, os amigos—em sua grande maioria jovens—mais ainda; todos foram saindo solidarizando-se mutuamente, um a um. Chorando e procurando se consolar.
No final de tudo, apenas dois funcionários do serviço funerário, que fechavam o caixão, restaram para levar o defunto até o carro funerário. Eu era um dos que estava mais próximo e fui requisitado para ajudar. Arrumaram mais um voluntário e fomos nós, os quatro, levar o dito-cujo para a sua última viagem.
Ou seja, de fato, a aparentada do pobre defunto “esqueceu” de levá-lo...
Outras Colunas