
Gustavo Werneck
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Filhos da santa ou da... - 9 de setembro.
As coisas me parecem cada vez mais plastificadas; de fato não são apenas informações vistas, enviadas ao cérebro e computadas como se aquilo retratado fosse à verdade humanitária. As canções populares se remetem ao pós-modernismo laico. Para entender assistiam ao documentário Uma Noite em 67.
A facilidade de avistar essa lógica depurada é ouvir as dimensões que há nas rádios, nas revistas, nos sites, nos programas de televisão em que as mulheres com peitos construídos em operações plásticas revelando a face nada oculta da proliferação sexual sacolejam as bundas em shortinhos que mais parecem uma calcinha maior.
Então, no deslumbramento democrático renascido da fênix em 1985, após a morte de Tancredo, o homem que era o retrato da nova cara do Brasil moderno, modulou a população lanhada pelos torpores dos anos de chumbo a reescrever uma página menos bruta na vida, que passou a ter sorriso quanto à passagem do cargo pelas mãos do último presidente-general, João Figueiredo para José Sarney, como ditava a regra àquela época.
Minha cara mudou tanto quanto do meu sagradíssimo Brasil. Os arranhões do passado são caricaturas perto aos torpores de hoje. Para sermos uma espécie de sub-imperialismo necessário diante dos Estados Unidos, talvez um favor para os irmãos imperadores do mundo, nós vestimos a tanga moderna, erguemos aos céus as normas enlatadas entre tapiocas e sardinhas, para adentrarmos em Cuba, Venezuela e Irã substituindo o papel deveras mal feito no pleito da política externa daquela nação pungente cujo Obama se desdobra pra levantá-la depois dos desbundes do Bush e sua gangue de malucos.
As normas são vestimentas, e as vestimentas retratam aquele estrangeiro que Caetano metaforizou numa canção com mesmo nome escrita por ele em 1989, um ano que marcou o surgimento do Collor na capa da revista Veja: um homem bonito, jovem: um ano que também teve a ilustre presença do apresentador Sílvio Santos impugnado na reta final do primeiro turno. Vocês se lembram? Caso contrário não tem importância!
Se alguém se perder ao sentir que o antropólogo Claude Lévi-Strauss realmente detestou a Baía de Guanabara, é porque ali estava o Brasil porco alvejado pela nobreza da acusação em torno da nossa herança maldita vinda da Grécia Antiga, que adorna a corrupção num Santo Graal impingindo no país sem nexo a “Ordem e o Progresso” balbuciado nas mentiras endeusadas, pelas vãs roubalheiras desenfreadas, e eu vomitando escárnios prostituídos para me autodiagnosticar que minha loucura é patrimônio nacional.
No entanto, é um país inteiro implodido num pecado político manejado pela inflação a 80% ao mês, com Overnight estampado nas telas das televisões, Bovespa e Rio exercendo papéis de doces macacas penduradas em cipós fragilizados entre corrupção passiva e crime de colarinho branco deflagrando a desordem que tínhamos.
Então, o que eu digo? Nada! A função de desabafo nas linhas que transcorrem evidenciam como um pensamento que enaltece as eras que se sucederam: Fernando Henrique e Lula. Já critiquei muito. Fui um tolo com ambos! Mas foram eles que mantiveram o país de pé. Não somos mais os bêbados e os equilibristas na função mora perante as instituições internacionais. Fui intransigente em apontar o dedo a eles! Nos momentos de maior pessimismo, estávamos nas urnas dando-nos um tiro no pé e a clamar por um ou por outro.
E hoje, o que eu digo? Nada! Somos psicologicamente dependentes de Fernando Henrique e Lula. À deriva está a certeza do qual suas posições exauridas nas páginas dos jornais buscam, manipular fatores que lhes façam entrar para a história nacional tornando-se maiores que Getúlio e Juscelino, na guarda de Jânio Quadros, no calar de João Goulart e na estupidez dos generais.
É este Brasil varonil; faceiro e belo, gigante-menino que amadureceu e nos levou a gerar uma alegria ao conhecer a economia com moeda nova, frango na mesa, dentadura na boca, vislumbrando a seleção do Parreira e Zagalo nos trazendo o Tetra depois de acachapante 24 anos lisos.
É o Brasil tão brasileiro que dribla como um passo dos artistas do Cirque du Soleil a própria magia. Passamos livres do cativeiro de certas crises pingentes derramadas no lânguido chão poderoso das nações que beberam o ouro e a prata dos povos subtraídos, indefesos, ingênuos chamados de colônias. Mas, afinal, que são os filhos da santa ou da...?
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